segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Milagres não acontecem, somente a luta vai valer! Por Graça Pereira Silveira


Aos meus amigos de Caxambu e Cambuquira!

Diante da matéria sobre Caxambu ontem vinculada no programa do Gabeira tenho algumas reflexões à fazer...

É interessante que a mídia mostre nossa cidade e fale mesmo que, rapidamente, sobre o problema que nos aflige que é a entrega de nossas águas e o descaso que vem sendo feito pela Codemig com o nosso Parque. 

Esse assunto tem sido pauta diária por algumas pessoas aqui nesse espaço do face não é de hoje pois a nossa preocupação com o que viria a acontecer com as águas à exemplo de São Lourenço foi sempre muito grande. Mas como muita gente não tem face algumas pessoas me parece não ficaram sabendo então foi boa a matéria da mídia. Temos que separar as questões... O Parque e as Águas. Na matéria infelizmente pelo pouco tempo das respostas muitas coisas ficaram sem serem ditas...

Sobre as águas

A Codemig já assinou o contrato com a empresa que vai explorar as águas baseada num edital que é muito ruim para a cidade e as águas. A Codemig barrou por 5 anos o acesso à qualquer informação sobre como está atuando essa empresa.
Pelo edital essa empresa não é obrigada a usar o nome das cidades de Caxambu e Cambuquira nos rótulos. A empresa pode encher caminhões tanques de água e ir envasar em qualquer cidade mais barata, abandonando nossas instalações sem manutenção. Enfim... a Codemig não está nem um pouco preocupada com a cidade e o povo. 

Sobre o Parque...

A Codemig não tem interesse no Parque,  tanto é que para Cambuquira ela doou o parque e manteve com ela a posse das águas. Para Caxambu eu não sei dizer se ela fez essa proposta!
A Codemig e todos os poderosos que estão por trás dela só estão visando o lucro! Não se iludam com conversas que ela possa ter com alguém, pois nesse momento, isto não adianta mais. A questão da água tem que ser barrada na justiça e aí quem sabe a gente recupere o parque para uma gestão compartilhada.Como disse o âncora do programa agora só um... MILAGRE DE GESTÃO! 
Temos que lutar para viabilizar isto!
Temos que barrar a entrega das águas e reaver a gestão do Parque e das Águas!
Aos nossos antepassados, ao nosso futuro.
Fonte:
Texto publicado por Graça  Pereira Silveira no Facebook
Foto:
Arquivo privado da Família Rodrigues Freitas

Casarões de ontem e hoje / Caxambu, mais de um século de história


Animada pela publicação do texto sobre as barbearias de Caxambu, que tirou muitas lembranças do baú dos caxambuenses, o Blog resolveu solicitar a Viviane Navarro, que fazia sua caminha diária pela cidade, fizesse uma foto do antigo prédio. E esta aí o resultado. O nosso Blog é interativo e quem quiser fazer o mesmo, envie a foto para nós via Message/Facebook para Solange Ayres, e se possível, conte uma pequena história sobre o prédio fotografado. Publicaremos todas!
Fotos:
Antiga: enviada o ano passado por Zeka Rafitte
Nova: enviada por Viviane Navarro, fotografada, em 18 de fevereiro de 2018, especialmente, para o nosso Blog.
Agradecemos muito especiais às duas. Solange Ayres

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Barba, cabelo, bigode e sanguessugas / Uma barbearia do outro século



Se alguém olhar bem, reconhecerá este edifício situado, na Rua Teixeira Leal, próximo à Igreja Matriz de Caxambu. Neste prédio funcionou uma barbearia, onde meu tio Silvio Ayres de Lima trabalhou nos anos de 1970, bem como também o meu tio Josino Ayres. A foto aceitamos como se fosse um presente, presente de Zeca Rafide. E, o mais importante, o prédio ainda esta lá (façam uma visita virtual, cliquem aqui). Esta preciosidade nos inspirou a escrever mais uma história para o Blog.

Vamos dar um passo maior no passado, precisamente retroceder até o ano de 1888, quando Sabino Augusto Sancho abriu sua barbearia na povoação de Caxambu...

Cabelo, barba, lavagem de cabeça. Esses eram os serviços oferecidos pelo barbeiro recém-estabelecido na povoação. A sua "loja", como ele a nomeou, ficava próximo a rua do Hotel Caxambu (ele também ainda esta lá) e oferecia serviços aos seus clientes, que eram atendidos de diferentes formas. Ele não somente fazia barba e cabelo, como também aplicava... Bichas. Bichas? Sim, um verme anelídeo e hematófago. Hematófago? Sim, sugador de sangue, as sanguessugas. O verme é provido de duas ventosas e era utilizado como terapia médica no Brasil do século passado. As... bichas ou ventosas, eram conservadas na água e não eram "alimentadas" até que aparecesse um cliente ou paciente. Elas eram aplicadas sobre a pele para "extrair o excesso de sangue", ou melhor, depurar o sangue, terapia indicada para a cura de diversas doenças. Um corte de cabelo custava $500 reis, e era tão caro como tratamento de depuração do sangue.

Na definição do  Novo Dicionário da Língua Portuguesas, publicado em 1859, definia-se o barbeiro o que faz barba; (antigo) "sangrador", cirurgia pouco instruído que sangrava, deitava ventosas, sarjas, punha cáusticos e fazia operações cirúrgicas pouco importantes." As "cirurgias pouco importantes", significava que eles faziam também extrações dentárias.

Os barbeiros eram a maior parte dos que aplicaram a "terapia", como Sabino Sancho. Ele atendia não somente na sua loja, ou barbearia, como também a domicílio. Em sua maioria, os barbeiros do século passado eram pessoas que não tinham qualificação profissional, vindos de uma baixa condição social, mas se tratando de Sabino, parece que não era o caso, pois ele não só conseguiu alugar sua loja no centro da povoação, e que custava anualmente 12$000 Réis, segundo a Tabela de Impostos e Profissões dos anos de 1881, mas também publicar um anúncio tão "profissional" (ao lado) no jornal O Baependiano.

O trabalho de Sabino era facilitado, pois as tais "bichas" importadas da Europa, procedentes de Portugal, França, Itália e Alemanha (essas  últimas de Hamburgo, pareciam ser as melhores), eram vendidas na tipografia do jornal. Ui.










Fonte:
Botelho, Janaina in, Vendem-se bichas.
O Baependiano
História da Odontologia do Brasil, in SOERGS -  Sindicado dos Odontologistas no Estado do Rio Grande do Sul.
Foto:
Zeka Rafide
Agradecimentos: 
Nossos especiais agradecimentos à Zeka Rafide, que nos enviou esta preciosidade de foto e ajudou a contar as memórias da cidade.
Revisão:
Paulo Barcala

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Benedito Manoel de Lima / O escravo que pouco conheceu a liberdade




Benedito Manoel de Lima. Podia ser mais um ser anônimo que desapareceu nas estatísticas, nos cemitérios, sem nome, sem quem colocasse uma vela, uma flor em sua lápide. Pois hoje vamos lembrar de Benedito, que serviu por décadas como escravo ao seu senhor, João José de Lima e Silva , desde quando a Família Lima tinha sua residência, em Pouso alto e ainda não havia se ramificado transformados nos Ayres. Ele aparece no sensu da cidade de Pouso Alto, feito pela Província, em 1839, junto com a Família Lima, seus filhos e suas "posses", os escravos. Ele era o mais jovem do plantel, com 26 anos, juntamente com outros três escravos, Adão de 31 anos e Vicente 28. Uma escrava também estava nos registros "Satutonia", viúva, de 38 anos, da "Guiné" e um menino de 10 anos. Todos eles foram descritos nas estatísticas: "captivo", "solteiro" e "da rossa". Não sabemos se Benedito nasceu em Pouso Alto, ou veio comprado no porto da cidade do Rio de Janeiro.

Uma pista porém é dada em sua certidão de óbito. Os anônimos escravos adquiriam os sobrenomes de seus senhores, como foi o seu caso, quando eram batizados em criança ou adultos. O batistério era a certificação que o escravo pertencia a um senhor, a legitimação de sua posse juramentada pelo pároco e por dois padrinhos de batismo. Assim Benedito Manoel recebeu o sobrenome de Lima.


No início da década de 1870, o Sul de Minas contava com uma população de 352.001 habitantes, sendo 72.223 escravos. A região era a que possuía o segundo maior plantel da Província Mineira. Benedito foi um desses milhões que vieram transportados nos navios para trabalhar nas plantações dos seus senhores nos tempos Brasil Colônia, na Comarca do Rio das Mortes, denominação territorial na qual Baependi estava localizada, onde viveu e trabalhou.

Sancionada a lei Áurea, não significou que a vida desses seres humanos, que serviram por décadas os seus senhores,  se tornou mais fácil. Pelo contrário. Que fazer então com os escravos velhos e fracos como ele, impossibilitados de trabalhar após sua libertação? Sem escola, sem profissionalização, foram lançados no limbo de uma sociedade que não os preparou para a liberdade. Agora como "livres" estavam no mercado para oferecer sua  força   de  trabalho. Muitos deles, por falta de alternativas, continuaram a servir os seus antigos senhores. Não sabemos se foi o caso de Benedito, que já estava em idade avançada para trabalhar quando foi liberto. Setenta anos eram setenta anos. Na data do seu falecimento o seu ex-senhor, o meu tataravô, João José de Lima e Silva já havia ido desta terra, quinze anos antes, em 1875.

De Benedito sabemos, pouco ou nada. Somente no seu atestado de óbito podemos ler as entrelinhas. Ele não chegou a gozar sua liberdade. Faleceu em estado de solteiro, aos 70, em 25 de janeiro de 1890, na Santa Casa de Baependi  de uma úlcera cancerosa sendo sepultado, no Cemitério Paroquial, dois anos após a Lei Áurea, oficialmente, Lei Imperial n° 3.353 ter sido sancionada, em 13 de maio de 1888, e a escravidão definitivamente abolida. Nos seus últimos momentos foi assistido "com todos os sacramentos" pelo pároco Marcos Pereira Gomes Nogueira, que assinou o seu atestado de óbito.

O negro Benedito morreu pobre.  Ele pouco conheceu a verdadeira liberdade. Mais que uma estatística, Benedito Manoel de Lima esta em nossa memória. Aos escravos agradecemos hoje o que foi trabalhado, construído, comercializado, enriquecido. Esquecer é pior que morrer.
Registros:
Familia Search
Estatística fornecida pelo CEDEPLAR, UFMG.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Carnaval na nossa vizinha Baependi / Uma família de história


E quem se lembra dos carnavais de antanho? Pierrôs, Colombinas? Vidros de lança-perfumes? Este carnaval era assim comemorado ha quase noventa anos. E lá vão os pequenos personagens fotografados no verão de um fevereiro de 1931, em Baependi. Estes, que depois de crescidos, se tornaram grandes figuras públicas da cidade. A foto publicada no face de Zezeth Turri Nicoliello nos chamou a atenção. Um primor! Pedimos licença. Tínhamos que publicar. O sobrenome já veio em minha memória, associado à muitas outras histórias, histórias contadas por meu pai José Ayres. 

Na cadeira, Antonio Nicoliello, mais conhecido como Toninho, profissão contador e advogado. Segundo a sobrinha, este resolvia qualquer questão jurídica emperrada. Nicolau  Nicoliello, eleito prefeito de Baependi por duas legislaturas, e comerciante aposentado, Maria José, professora de História, e Francisca Nicoliello.

Sorte tem a cidade. As novas gerações continuam a levar o nome da família e a tradição de seus pais, de servir à comunidade, como médicos, advogado, dentista, professores. Assim é que é.
Foto:
Na foto: Da esquerda para a direita: Francisca Nicoliello, Antonio Nicoliello (sentado na cadeira), Nicolau Nicoliello, e Maria José Nicoliello.
Arquivo privado de Zezeth Nicoliello
Agradecimentos especiais a Zezeth Turri Nicoliello quem forneceu esta preciosa foto.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Domingo de Carnaval em Caxambu / Martins Capistrano visita a Fonte da Beleza


Domingo de carnaval em Caxambu. A mimosa cidade das fontes imperiais recebe os últimos veranistas da estação carnavalesca e chora o pranto da chuva de fevereiro, que cai sem cessar, molhando o gramado verde-claro de seus jardins pequeninos e as alamedas do Parque aristocrático, onde muitas gerações de aquáticos diluíram-se esperanças e beberam saudades sob as velhas árvores discretas...

Esta longe o sol deste verão gotejante, que não mostra o azul do céu mineiro na tarde suspirosa nem decerra a cortina branca da chuva para dourar a paisagem  da serra. Longe deve estar, também, o espírito contagioso da Folia, que tem medo de subir a montanha e fica na planície, incendiando as almas tropicais...

Como é diferente, aqui no domingo de Carnaval! Não há pandeiros nas ruas nem delírio nos salões. A mesma serenidade dos dias sem muitos se extende sobre a cidade verde, que acolhe os fugitivos do reino do Momo. Só os hotéis e nas aléias do Parque se agita a colmeia de veranistas que fogem não gostar do Rio alucinado de carnaval e de calor... Dos veranistas que vem para estas alturas enganar o próprio temperamento impregnado de alegria...

O meu dileto amigo professor Austregésilo, que aconselha Caxambu aos seus clientes saturados da vibração carioca e dá, ele próprio, o exemplo de um legítimo esteta da ciência, afronta a garoa para não perder a sua alcalina matinal. E vai, sob o chuvisco impertinente, agressivo, até o pavilhão das Fontes Mayrink, onde o Cesar Ladeira, ontem chegado de Carvalho, disciplinado, elegante, à procura da fonte da... Sorte, para ganhar no víspora do Glória ou do Palace.

Também o Roberto Marinho e o Henrique Pongetti se deixam molhar pela chuva deste domingo de carnaval andando pelos caminhos úmidos do Parque, onde não ha uma fonte que cure as inquietações da alma nem a tortura dos corações insaciáveis...

A-apesa-da chuva insistente, da chuva simples e quieta de Caxambu, o Parque desde cedo, se movimenta, galantemente, ao contacto de sorrisos que se abrem como as flores de um vergel primaveril. E as fontes estão sorrindo, também, na música dos copos que procuram as águas claras da saúde, sob o rumos dos pingos que encharcam os canteiros floridos.

Ali na Viotti, ou na D. Pedro, ou ainda na Dona Leopoldina, ou na Duque de Saxe, estacionam, disciplinadamente, donos de fígados responsáveis por muita neurastenia da metrópole. Esperam, pacientemente, sua vez, dominados pela mística das águas...

Junto à Fonte da Beleza há uma nota de inquietação feminina, que merece especial referencência . A água da Fonte da Beleza é prodigiosa. Renova o corpo e a alma de quem a bebe ou com ela banha o rosto castigado pela fealdade ou pelos anos. Tem, neste sentido, um prestígio que a torna procurada por muita veranista que teve a desventura de nascer feia ou perder a beleza depois dos cincoenta... Agora mesmo uma solteirona de idade irremediável faz uso da água milagrosa para sentir, no rosto emurchecido e triste, a carícia fugace da mocidade e da beleza... Suas mãos tremulas seguram, confiantes, o copo cor de esperança, que encerra liquido renovador... A água cai-lhe nos olhos cansados, nas faces perdidas, nos lábios melancólicos, na testa enrugada como esmalte de juventude que talvez lhe traga a beleza que nunca teve a ilusão com que sempre, inutilmente, sonhou... Pobre vítima da fatalidade, ela se consola momentaneamente, com a frescura da fonte que promete... o impossível...

A Fonte da Beleza é a ilusão das matronas desiludidas que visitam Caxambu. É a esperança cristalina das mulheres feias que ainda sonham com a incerteza da formosura. 

Entre as suas colegas do Parque suntuoso que, mesmo sob a chuva, se ilumina de sol e azul nas manhãs e nas tarde de fevereiro, a Fonte da Beleza, garrida, primaveril, romântica, generosa, tem a vaidade feminina de todas as mulheres preferias que ainda podem prometer...

O texto foi escrito no contexto dos anos de 1940, e estamos convencidos dos muitos argumentos levantados pelo caro jornalista. Mas discordamos de outros. Ah, talvez o jornalista estivesse olhos somente para as damas, pelo seu exterior, e não via ao seu redor que o Parque das Águas e as fontes eram também procurados por seres humanos de muita beleza interior. 

Fonte:
Capistrano, Martins in Revista Fon-Fon, 1940.

sábado, 27 de janeiro de 2018

A incrível coincidência das bolsinhas /Zezeth Nicoliello e Solange Ayres


E as coincidências acontecem. Numa publicação de Zezeth Nicoliello no facebook, acabo de achar irmã gêmea de minha bolsinha. No caso de Zezeth, o tio dela levou as meninas para passear no histórico Parque das Águas de Caxambu. Eram as primas Adriana e Adalgisa. O tio havia comprado para as mais velhas uma bolsinha para cada uma e,  na hora de tirar a foto, a bolsinha de Zezeth foi parar na mão da menorzinha. Zezeth, claro, fez caras e bocas. Com grande possibilidade, a bolsinha de confecção artesanal tenha sido comprada no mesmo lugar, nas barraquinhas próximas ao Parque. No meu caso a bolsinha de palha foi presente do padrinho Jorge, casado com a madrinha Lolita, que não tinha filhos, me "adotou" como sua afilhada. Foi ele quem financiou meus estudos no Colégio Normal Santa Terezinha. O casal vinha todo ano, na época do meu aniversário, do Rio de Janeiro, e ficavam hospedados lá em casa. Sempre íamos ao Parque das Águas juntos ele me enchia de guloseimas, presentes e... uma bolsinha igualzinha a da Zezeth.
Foto:
Arquivo privado de Zezeth Nicoliello
Arquivo privado de Solange Ayres

sábado, 13 de janeiro de 2018

Memórias de Tenório / Onofre Edson dos Santos, o antigo vendedor da Casa Oriental da cidade de Caxambu



E foi em 10 de dezembro de 2017, que Onofre Edson dos Santos, recebeu em sua casa, em Caxambu, Graça Pereira Silveira para uma entrevista exclusiva ao Blog da Familia Ayres/ Histórias e Memórias da cidade de Caxambu. Onofre que atende por Tenório, pertenceu ao quadro funcional da tradicional Casa Oriental. Ele nos alegrou com suas memórias e revelou uma grande surpresa: ha 64 anos, foi quem emitiu o recibo acima à Arminda Ayres, casada com José Ayres, (filho de Gervásia Ayres de Lima e José Trançador-filho). Com vocês...


Foto:
Recibo/arquivo privado da Família Ayres
Vídeo:
Entrevista realizada por Graça Pereira Silveira, em dezembro de 2017, Caxambu.
Revisão:
Paulo Barcala

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

sábado, 6 de janeiro de 2018

A padaria União Caxambu e a história de outros padeiros e seus estabelecimentos panificadores


A primeira propaganda de uma padaria na povoação de Caxambu data de 26 de julho de 1883, quando Targino Pereira Noronha se une a Fernando Levenhagen e juntos abrem a Padaria União Caxambu. Este seria o primeiro registro conhecido de propaganda publicar em um jornal de uma padaria na povoação.

Nem bem o redator de O Baependiano , que escrevia em abril de 1883, sonhando com os pães, empadinhas e licores da Padaria e Confeitaria Java, de São Paulo, situada na rua São Bento, próximo ao largo do Rosário, frequentada por políticos e fazendeiros, e talvez por ele próprio, quando foi mandado para São Paulo para estudar.  Amaro sonhava com os quitutes que pudessem serem embarcados de trem, em direção ao povoado. O esperado ramal de trem até Caxambu? Ah, somente no ano de 1891 o trem apitaria na estação de da cidade. 

Targino, o sócio

Vamos então aos padeiros. Primeiro o Targino. Targino Pereira de Noronha, nascido em 8 outubro de 1856, era filho de 6a geração do fundador de BaependiTomé Rodrigues Nogueira do Ó. Ele casou-se de primeiras núpcias com Maria Luiza da Rocha, filha de Venâncio da Rocha Figueiredo, em 5 de julho de 1884, na cidade de Caxambu. Targino enviuvou-se e casou-se em  segundas núpcias com Olympia de Noronha de Castro filha de Domiciano Plácido de Noronha e Anacleta Placidina de Castro. Todos eles de famílias tradicionais e conhecidas tanto em Baependi como em Caxambu.

Targino tentou se inscrever como eleitor na paroquia de Baependi, para o ano de 1883, mas foi recusado, pois não conseguiu comprovar que o seu estabelecimento comercial, isto é, a Padaria, tivesse pagado impostos dois anos seguidos conforme a lei exigia. O imposto anual cobrado era 12$000 Réis por estabelecimento, conforme a tabela de impostos da "Indústrias e profissões" do ano de 1881. Claro, a padaria União Caxambu foi criada em 1883, e a carência era de 2 anos. Só era possível se inscrever como eleitor aquele que tivessem "cabedal", isto é, dinheiro. E ser eleitor, leitores dava status social. Nas votações do ano de 1885, Targino foi finalmente incluído na lista... graças à Padaria União Caxambu. No ano de 1884 ele aparece no Almanack Sul Mineiro como dono de "secos e molhados". Acreditamos que a padaria deveria também comercializar outros produtos, como as "vendas", muito comuns no interior de Minas, onde se achava de prego, velas a tecidos e... pão.

O sócio Fernando Levenhagen 

Fernando Levenhagen, filho de imigrantes alemães, nasceu em 18 de março de 1861, em Joinville, Santa Catarina. Muito jovem emigrou do sul do país para Minas. Primeiro ele fez uma parada em São José do Rio Pardo, na província de São Paulo, para se casar com a baependiana Isalina de Castro, em 20 de fevereiro de 1882. A região de São José do Rio Pardo prosperava com a produção de café, razão pela qual atraiu muitos imigrantes atingindo o seu  ponto alto nos anos de 1880. Mas, por  algum motivo, eles se mudaram de lá, e em 1883 o casal veio a se estabelecer em Caxambu

Em Caxambu, Fernando, com apenas 22 anos, resolve então abrir um negócio em que a familia já tinha experiência: uma padaria. O segundo marido de sua irmã Helene Francisca Levenhagen, Leoncio Hypolito Van-der-Heyden era proprietário de uma em São FranciscoSanta Catarina, assim como seu irmão Franz Levenhagen, que tinha também uma padaria em Antonina, no Paraná. Ele, de alguma forma, aprendeu o ofício de padeiro e assim entra de sociedade com Targino.

O padeiro na estrada de ferro

No ano de 1884, Fernando Levenhagen entra com um requerimento em Baependi, como morador de Caxambu, solicitando à Câmara para ser nomeado Fiscal de Caxambu, pois o cargo estaria vago (foto). A câmara negou o pedido respondendo que não poderia nomeá-lo, porque não havia o tal cargo na povoação. Estaria ele querendo mudar de profissão? Viver somente da renda de pão e bolos era difícil, além de ter que dividir os lucros com um sócio. Ele estava à procura de emprego que lhe desse estabilidade financeira, pois o seu primeiro filho, Raul Levenhagen, já estava a caminho.


Por sorte, a Rede Ferroviária estava com planos de expansão das ferrovias no Sul de Minas, e Fernando vê sua chance de obter um emprego.  E a chance veio. Com a abertura do ramal até Três Corações da Minas-Rio, em 1884, ele conseguiu uma vaga, como consta no documento achado (foto acima) do ano de 1888, (foto acima) exercendo cargo de Agente da Estação na cidade de Conceição do Rio Verde, conhecida como Contendas. Assim a vida dele e da família foi regida pelos trilhos entre Soledade, Passa QuatroPouso Alto e Caxambu. Fim da sociedade?

Padaria Caxambu do senhor João Sourioux


Em 21 de marco de 1888, é aberta na povoação uma nova padaria, denominada Padaria Caxambu, situada no largo de Nossa Senhora dos Remédios, portanto, no largo da Igreja, de propriedade de João Souriox, que aprendeu o ofício em São Paulo, onde trabalhou "na melhor padaria da cidade". Segundo o jornal O Baependiano, ele fazia o melhor pão francês. "O Sr. João Sourioux abriu aqui uma (padaria), que começou a funcionar hoje, no largo de N. dos Remédios. Era uma necessidade que sentia nossa povoação." Era a Padaria Caxambu concorrente da Padaria União Caxambu? O que teria acontecido? Pela formulação do texto "era uma necessidade que sentia nossa povoação", podia significar que a Padaria União Caxambu não estava mais funcionando. Vejamos...


As coincidências documentais comprovam que Fernando Levenhagen estava trabalhando na Rede Ferroviária, quando Seu João Sourioux abriu a Padaria Caxambu. Um anúncio de junho de 1889: "Aluga-se uma casa em bonita e saudável situação, sendo a mesma composta de 4 peças e tendo cozinha e dispensa, e alguma mobília. Para maiores informações no escritório desta tipografia ou NA PADARIA CAXAMBU". Ah sim, a padaria do senhor Sourioux ainda estava lá. A Padaria União Caxambu? Não encontramos mais seus registros. Nos registros genealógicos da Família Levenhagen, ele era ainda proprietário/sócio do estabelecimento em 1895. Fim da história?

Não. A vida continua... O filho de Fernando Levenhagen, Raul Levenhagen, seguiu a carreira do pai, agora na ordem inversa: Ele começou como agente da Estrada de Ferro Rede Mineira, conforme documento de 1918, e posteriormente abriu uma padaria, constando no livro de estatísticas de 1935. Estava na família.


Agora sim, fim da história.
Leitam também:
Padaria e Pianos/ Dos Tabuleiros à primeira panificadora na povoação de Caxambu
Foto:
O Baependiano, anúncio.
Estatísticas do Estado de Minas Gerais.
Fonte:
O Baependiano
ALMANAK SUL MINEIRO - 1884, organizado por Bernardo Saturnino da Veiga.
Tröl, August in LENHAGEN, NACHRICHTEN VOM DER FAMILIE, 1897, Hamburgo.
PARANHOS, Paulo, Ruim mais vai, O desenvolvimento da estrada de ferro no sul das Minas Gerais e a chegada do trem a Caxambu.
DA SILVA, Joao Luis Maximo, ALIMENTACAO DE RUA NA CIDADE DE SAO PAULO (1828-1900), Sao Paulo, 2008.
(1) CASTRO, Fulgêncio, in Guia para uma viagem às Aguas Medicinais de Caxambu, Província de Minas Gerais, 1873.
LEMOS, Floriano, Correio da Manha, 1941
Revisão:
Paulo Barcala

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Partiu de nós / Solon Soler 1936-2018


Partiu ontem, Solon Soler para a eternidade. Aos seus ente queridos e amigos, nossos sentimentos.


Foto:
Arquivo privado da Família Soler
Leiam aqui a biografia completa de sua família: A Chácara das Uvas / O ramo dos Solers

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Padarias e Pianos/ Dos Tabuleiros à primeira panificadora na povoação de Caxambu





Antes de existir uma padaria na cidade, Caxambu teve suas quitandeiras. Elas foram as primeiras  a comercializarem produtos como broas, doces, antes de existirem as padarias. Os quitutes eram servidos em tabuleiros e esteve presente nas Minas Gerais desde os primeiros séculos de colonização como parte do sistema de abastecimento das cidades. As quitandeiras eram em sua maioria, constituídas de mulheres escravas ou forras e era uma forma de ganhar algum dinheiro. Muitas vezes o trabalho era organizado por brancos. 

Assim escreveu Fulgêncio de Castro, no ano de 1873: Pelas ruas da povoação mercam-se diariamente em tabuleiros saborosos biscoitos de polvilho, excelentes broinhas de fubá mimoso, pão de ló, doces sequilhos de várias espécies. 

A primeira unidade panificadora de Caxambu pelos relatos de Floriano Lemes, foi inaugurada em 1877, de propriedade de Maciel Cleto da Rocha em sociedade com seu irmão Caetano. A padaria ficava  na esquina, em frente ao Hotel Caxambu. Em 1878 eles passaram o negócio para Joaquim Ferreira Alves Madeira, proprietário da Fazenda Morro Queimado, no município de Baependi, que tinha uma sociedade com Antonio Tristão de Oliveira. O estabelecimento era daquelas "vendas" do interior e funcionava como uma loja de secos e molhados, além de vender café, bebidas e... pão. Depois o predio  foi vendido a Domingos Gonçalves de Mello, onde mais tarde funcionou a Confeitaria Bechara, mas isto foi muito tempo depois...

As padarias pelo Sul de Minas afora

O surgimento das padarias na história do Brasil  esta ligada a urbanização das províncias. À medida que as povoações cresciam, surgiam os estabelecimentos panificadores. O Almanaque Sul Mineiro, dos anos de 1874/1884, comprova que as cidades do interior de Minas eram muito mal servidas de panificadoras; na verdade elas quase não existiam. Claro, cada casa fazia seu bolo, biscoito de polvinho, como na tradição da cozinha mineira, usando a farinha de milho e mandioca para o consumo doméstico. 

Novamente aqui Fulgêncio de Castro em seu livro "Guia para Águas minerais" observa que "Em todos mencionados hotéis a mesa consiste ordinariamente em feijão, ervas, arroz, carne de porco ou vaca, galinha, ovos biscoitos de povinho e pão (raras vezes)". 

Então pão era mesmo um artigo raro e de luxo. Além do que as pequenas povoações só eram habitadas nos fins de semana, quando o povo vinha da roça para a missa no domingo e aproveitavam para fazer compras nos mercados locais e a venda de produtos era suprida  pelas "quitandeiras" que vendiam seus produtos em tabuleiros pela cidade.

Algumas padarias apareceram nos arquivos como na cidade de Cristina que... "tinha 7 ruas e duas praças e uma Padaria/Confeitaria", e... tocada por duas mulheres: Laura Delminda de Castro Medeiros e Beatriz Antonia de Castro. Povoações maiores como Pouso AlegreItajubáSão Gonçalo do Sapucaí tinham as suas, mas como dito, não funcionam todos os dias: "contando-se todavia diversas casas em que, sem regularidade, mas com frequência, são feitos muitos preparados de farinha de trigo, polvilho, milho, etc.. Na freguesia de São José dos Botelhos, "padaria em que fazem também biscoitos, roscas, etc". Itajubá tinha  "uma padaria regular".  Passa Quatro: "A localidade possui uma padaria, que trabalha diariamente de propriedade de Bernardino Pontes Gomes. Três Pontas não havia padaria regular na cidade, mas em diversos dias da semana encontra pão à venda. Onde? Não informaram. Alfenas existia uma padaria "padaria regular", tendo à frente dos negócios a padeira: Maria Claudina de Souza dias.

Pianos e padarias


Algumas singularidades apareceram nas estatísticas de nossa pesquisa associada às padarias: os pianos. Alfenas  tinha sete pianos, Cristina, cinco: "Tem a cidade uma padaria, que trabalha três vezes por semana, uma banda de musica regular, cinco pianos, etc". Monte Sião "possuía uma padaria que trabalhava três vezes por semana" e dois pianos. Conceição do Rio verde tinha uma padaria que funcionava diariamente e dois pianos. A padaria de Caxambu, segundo o Almanak de 1884, trabalhava todos os dias e a povoação tinha... seis pianos!  Mas quem quebrou todos os recordes foi Baependi, não de padarias, mas de pianos: dez deles! Gentes, pianos... por tabela ficamos sabendo que o povo no mais ermo rincão do sertão mineiro tinha poucas padarias, mas pianos. Ah, e Caxambu uma fábrica de vinhos! Uma nota importante: um dos pianos pertencia ao senhor José Maria Costa Guedes, o proprietário da Casa Guedes e ainda esta lá até hoje.
Foto:
Almanak Sul Mineiro
Colagem, Rügendes, Debret.
Fonte:
O Baependiano
ALMANAK SUL MINEIRO - 1884, organizado por Bernardo Saturnino da Veiga.
Tröl, August in LENHAGEN, NACHRICHTEN VOM DER FAMILIE, 1897, Hamburgo.
PARANHOS, Paulo, Ruim mais vai, O desenvolvimento da estrada de ferro no sul das Minas Gerais e a chegada do trem a Caxambu.
DA SILVA, Joao Luis Maximo, ALIMENTACAO DE RUA NA CIDADE DE SAO PAULO (1828-1900), Sao Paulo, 2008.
(1) CASTRO, Fulgêncio, in Guia para uma viagem às Aguas Medicinais de Caxambu, Província de Minas Gerais, 1873.
LEMOS, Floriano, Correio da Manha, 1941
Revisão:
Paulo Barcala

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Com a palavra: Reynaldo Guedes Neto /Tudo sobre as águas


O Blog reproduz a publicação do Jornal da Camara de Caxambu. Informar sempre, inconformar nunca. Com a palavra o secretario do Meio Ambiente de Caxambu Reynaldo Guedes Neto.

Festa dos homens de cor em frente à Igreja Matriz de Caxambu



É absolutamente sensacional! Uma foto da Igreja Matriz de Caxambu, publicada no Jornal/Revista Fon-Fon, em dezembro de 1915. A Igreja ainda tinha sua arquitetura original  do ano de 1872,  quando foi erguida, e pode ser visto o prédio, onde funcionava o Bar do Zé Merquinho, à esquerda, quem se lembra? Assim vamos desvendando as histórias da cidade. O registo, apresentado pelo Blog da Família Ayres/Rodrigues Freitas Histórias e Memórias da cidade de Caxambu é,  não só da Igreja, como também de uma autentica comemoração de populares na cidade. A revista, que só noticiava a fina flor da sociedade carioca e caxambuense, desta vez nos surpreendeu com uma foto histórica. Uma festa viva. Não nos despertaria a curiosidade se no rodapé da foto o título: "Festa dos homens de cor". Mais curioso ainda é que o Largo da Igreja foi todo enfeitado para a ocasião. Podemos ver várias varas de bambus (?) enfeitadas  fincadas no chão, 6 contadas.

Sociedade Beneficente dos Homens de côr de Caxambu


E Caxambu tinha a sua. O Almanak Laemmert, nas "estatísticas das cidades", lista as diversas associações existentes, em Caxambu, em 1922, e lá encabeçando a Associação Beneficente dos Homens de côr. E dentre outras conhecidas, algumas não mais existem como o Club Mingote, Clube Augusto Ribeiro, Club Bragança,  Corporação Musical N. S. d`Aparecida, Club Caxambuense e, ainda existente instituição, o Asylo S. Vicente de Paula e a Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus. Se a agremiação de Caxambu constava no jornal Almanak, era porque tinha seu status jurídico, registrado em cartório.


O que foi então a Sociedade dos Homens de Cor?  Do pouco que se conhece até agora, trata-se de uma associação que teve seus primórdios nas primeiras décadas de República. O tema ainda não recebeu atenção dos historiadores, mas o Blog da Família Ayres vai tentar desencavar as histórias.

As iniciativas mais conhecidas existiram no Rio de Janeiro São Paulo onde, em 1909, um grupo de "homens de cor" lançou a idéia de fundar, na cidade, uma associação em defesa de seus interesses sociais, políticos, econômicos e culturais.  O grupo se reuniu no centro de São Paulo, próximo à atual Praça das Bandeiras, e tinha como finalidade prestar assistência social aos seus membros filiados, mas também no contexto político cultural dos problemas que afetava os afro-brasileiros. As ações sociais consistiam em almoços, lanches, festas, celebrações de missa, atos e eventos públicos. O evento histórico mais comemorado pelas agremiações era a Lei Áurea (de 13 de maio de 1888), que extinguiu a escravidão no Brasil. A associação na época era ainda informal e,  em 1914, resolveram registrá-la no cartório. Parece então que a idéia se espalhou. A cidade de Mirasol, no estado de São Paulo, tinha sua Sociedade dos homens de cor, bem como a cidade de Franca, ambas em São Paulo, esta última criada, em 1935, e o jornal relata: "Somente nos Estados Unidos ha dessas sociedades" (1).

Gente negra de Uberaba e Uberlândia


A existência  documental de outras organizações de afro-brasileiros em "sociedade dos homens de cor", em Minas Gerais, é rara, mas não significa que elas não existiram. O tema, repito, esta ainda para ser pesquisado. A Sociedade dos Homens de cor de Uberlândia aparece no cenário político mineiro, participando ativamente das comemorações  do aniversario da cidade, em 1936. A "Legião Negra", como foram denominados, a "prestigiosa sociedade dos homens de cor", "em seu selo possue elevadíssimo número de eleitores", escrevia o jornal de Uberlândia. Ah, sim eles eram eleitores, e por isso tiveram voz. Parece que eram tão organizados, inclusive em outras cidades da região do Triângulo Mineiro, e mereceram uma nota no Diário de Notícias  do Rio de Janeiro, em 1937 (foto). Uberaba também teve sua agremiação, que participou da cerimônia na câmara dos vereadores da cidade, nas comemorações do 13 de maio do ano de 1956.

Que festa seria essa?

A revista Fon-Fon noticiava a "Festa dos homens de cor, na Matriz da Villa", em Caxambu, assim podemos concluir que a festa ocorreu não somente fora, mas também dentro da Igreja. Seria uma quermesse organizada pelos... "homens de cor", uma Folia de Reis? Ha grande possibilidade que esta seja a primeira foto das comemorações de uma Folia de Reis, em Caxambu. Sendo manifestação cultural religiosa, praticada pelos adeptos do catolicismo, os "de cor" foram fazer suas performances na porta da Igreja Matriz, para rememorar a atitude dos Três Reis Magos que partiram em uma jornada à procura do Menino Jesus. Se o jornal descreve como "festa", então havia música e assim esclarece a denominação encontrada na revista. Uma Folia de Reis é composta por músicos tocando instrumentos de confecção artesanal, tambores, reco-reco, viola, sanfona. Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo é composto de dançarinos, palhaços e fazem reverencias à uma bandeira. Destaca-se no centro da foto uma pessoa que esta vestida, não com roupas usuais. Seria a figura um desses dançarinos fantasiados? Algumas suposições e muitas perguntas.

Os vestígios da Sociedade dos Homens de Cor da cidade de Caxambu desapareceram, e restam somente dois únicos registros, a foto ao alto, e o seu nome no jornal. Pelo menos isso.
Foto:
Revista Fon-Fon, 1915
Domingues, Petrônio - Federação dos Homens de Cor: notas de pesquisa
XXVII Simpósio histórico e diálogo social, Natal - RN, 22 a 26 Julho 2013.
Fonte:
(1) O Jornal - RJ 1935
Jornal de Uberlândia
Almanak Laemmert: Administrativo Mercantil e Industrial (RJ) - 1891 a 1940, Edição de 1937.
Jornal Lar Catholico
Jornal Estado de Minas
Jornal Lavoura do Comércio, SP
Jornal Correio da Manha, Rj
Diário de Noticias.
Wikipedia
Revisão:

O diálogo foi mais ou menos assim... O dia em que as águas pegaram fogo. Que jornalismo queremos?


Hoje, 26 de dezembro de 2017, publiquei no Blog da Família Ayres  e postei o texto " Privatizar o belo. Como?" no Grupo Jornal Arte 3 sobre o tema privatização das águas de Caxambu. Bem, passado alguns minutos o que leio? O administrador argumentou que o meu texto continha inverdades, que deveria ler com atenção o edital da Codemig... e os comentários para a postagem foram bloqueados. Então postei no grupo que aquela atitude de bloquear os comentários era censura e o que fez o administrador? Me excluiu do grupo. Vejam aqui a conversa no in box... Se não foi censura, foi o que? Que jornalismo queremos?

Fernando Victor
Bom dia, Solange. Deseja conversar sobre assuntos relativos à administração do grupo? Posso te dar toda a atenção aqui pela conversa particular. Espero que compreenda a impossibilidade de abordar este assunto em discussão aberta com mais de 24 mil pessoas.


A propósito, achei injusta sua acusação de "censura", pois sua postagem não havia sido apagada, embora estivesse com uma informação incorreta.
Solange
Primeiro voce me exclui do grupo, e agora quer discutir sobre a administração de seu grupo? Muitos ja saíram de la pelas mesmas razoes , censura em suas postagens. censura sim, pois voce bloqueou os comentários. Que outro argumento? Agora voce me excluiu do grupo. Informacao correta ou não, o debate poderia ser aberto e eu modificar os meus argumentos em função dos argumentos apresentados, que muitas vezes fiz, pois o meu Blog é interativo e ja acrescentei, tirei muita informacao que considerava incorreta, ou faltante. Ia até mesmo verificar o edital, quando vi que os comentários tinham sido bloqueados. Assim voce não merece mesmo respeito. Que pena. Agora poderá continuar a publicar os posts de cachorros perdidos e outros de nenhuma relevância para a cultura da cidade.
Fernando Victor
Estou vendo que vc tira conclusões muito rápidas, especialmente quando se sente contrariada.
Solange
Ra! Tira conclusões rápidas? Quem foi que me excluiu agora do grupo? Fernando, tenha paciência...
Considero encerrado o assunto.
Fernando Victor
Vc ainda não compreendeu que era a única maneira de trazer o assunto para o particular, depois daquela sua postagem me acusando de censura?
OK. Como queira. Te ofereci todas as chances para abrir um diálogo, mas creio que não preciso lembrar quais foram suas respostas. Mais uma vês, a escolha é sua.. Também considero este assunto encerrado.. Passar bem.

Privatizar o belo. Como?


Dia 27 de dezembro, no apagar das luzes do ano de 2017, as águas do Parque serão postas no prego e, juntamente com elas, a herança e o patrimônio cultural de muitas gerações. Mais uma vez, de muitas tentativas de sua comercialização, desde o Império, passando pela Velha República, a nova, e a novíssima democracia, as águas milagrosas estarão em mãos incertas, se o pregão se concretizar. O esforço de muitos pode agora ser em vão. Que os caxambuenses tenham consciência do que esta por vir. A esperança é a ultima que morre.
Foto:
Solange Ayres

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Lair Ayres de Lima e Thereza Ayres de Lima comemoram suas Bodas de Diamante



Lair Ayres Thereza Ayres fizeram sua peregrinação à Aparecida do Norte e foram flagrados por um dos fotógrafos lambe-lambe. Muitos dos nossos antepassados fizeram o mesmo ritual. Vó Gervásia deu exemplo. Em 21 de dezembro de 2017, eles completaram Bodas de Diamante. Bodas de Diamante? Sim. Sessenta anos de convivência e bem vividos. O feito não é para qualquer casal. Que venham muitos mais anos de alegrias. Parabéns!

E para localizar quem é quem, Lair Ayres de Lima é filho de Luiz Ayres de Lima e Maria Ayres, (tia Lili), neto pelo lado materno de Gervásia Maria da Conceição, bisneto de Sabina Maria da Conceição, e trineto de Justinianna Maria da Conceição.

Pelo lado paterno, Lair Ayres de Lima: neto de José Ayres de Lima, o Trançador-filho, casado com Gervásia Maria da Conceição; bisneto de  José Fernandes Ayres da Silva, o Trançador Pai, ou velho casado com  Maria Ribeiro de Souza Lima; trisneto de  Joana Tereza Ribeiro, que era casada com João José de Lima e Silva, o mais antigo ancestral da família encontrado no sensu da cidade de Pouso Alto, no ano de 1838.


Fotos:
Arquivo Privado da Família de Lair Ayres
Na foto: Tereza Cristina, Lair Ayres, Luiz Ayres.
Viviani Cifani Lima, por parte materna, filha de Thereza Menina de Jesus Cifani Lima.